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Claudionor

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2021-02-27

7:51:13 PM

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Lugares

Lugares

 
 
 
 
 
01- CAMPO GRANDE
(Claudionor Araújo da Silva)
 
Campo de Vacaria
Terra fértil
Bom Jardim do Zé
 
Rua Velha
Pau a pique
Telha de barro
 
Vila de boiadeiro
Trem de comércio próspero
 
Município verde-oliva
Capital de povo hospitaleiro
 
Tens derramado em teu solo
O sangue da força do trabalho
 
Harmonicamente cresces
Sintonizando tuas raízes
Enaltecendo o povo indígena
Valorizando fauna e flora
 

 
 
02- VIDA CABOCLA
(Claudionor Araújo da Silva)
 
Embrenhada no cerro
Casa acerejada
Telha descorada
Chaminé encarvoada
 
Regalo do matuto é pitar
Na espaçosa quatro chinelos
 
Algazarra de passarinhada
Corredeira cristalina
Gorjeio de sabiá
 
Sertanejo
De dia cheio
E noite quase fechada
 
Lua é poesia
Viola é lamentação
Caipira se alonga
Em eterna solidão
 
 

 
 
03- BAIRRO POPULAR
(Claudionor Araújo da Silva)
 
Em outros tempos
 
Paisagem agreste
Trieiro
Girino
Água prateada
Vida selvagem
 
Acolheste imigrante
 
No trem da inspiração poética
Desbravador ardente
Filho que canalizou teu campo
E enalteceu teu progresso
 
Apito de indústria próspera
Deixa a rusticidade no passado
 
Da terra batida ao asfalto
Do lampião à gás
À força da usina elétrica
Da tabuada ao livro digital
Da carroça ao carrão
Do pau a pique à mansão do letrado
Da pobre taberna
À rica prateleira
De vila pacata ao eterno bairro POPULAR
 
 

 
 
 
04- A COLINA
(Claudionor Araújo da Silva)
 
Amanhece na colina!
Gibão segue a sua sina!
Arara faz revoada!
Hiena acha uma ossada!
Potro relincha no campo!
Já foi embora o pirilampo! 
Fumaça de cabana se mistura com neblina!
Vejo uma ave de rapina!
Condor sobrevoa palmeira!
Tem lagarto lá na ribanceira! 
Águia retorna ao ninho!
Lá vai outro passarinho!
Represa repleta de peixe!
Andorinha vem em feixe!
Entre os jasmins:
Amor-perfeito!
Estou satisfeito!
 
Cravo rosado
Parece estar triste!
A perdiz achou alpiste!
 
Perdigueiro corre com fúria!
Quanta injúria!
 
O vento levou pro mar
Pétala de rosa branca!
A borboleta busca a avenca!
 
Quando cai a tarde
A colina é pura poesia!
Coruja sente melancolia!
 
A noite na colina
É misteriosa e cheia de encanto
A emoção põe seu manto!
 
Lobo faz clamor!
Outeiro do amor!
 

 
 
05- AROMA DE CAFÉ
(Claudionor Araújo da Silva)
 
Madrugada fria!
Assobio de Ventania!
Folha seca faz melodia! 
 
Porta que se abre à toa!
Coruja, que do portão, voa!
Porteira ainda fechada
E janela escancarada
 
Flor despedaçada!
Telha que balança!
Em sua toca, a cotia, o vento não alcança!
 
Neblina!
Ave de rapina!
 
Curiango dorme!
Gibão some!
Bem-te-vi sofre!
Cotovia canta nobre!
 
Chuva!
 
Lobo à espreita!
Rosa que chora, enfeita!
Céu nublado!
Cão machucado!
Gelo na lagoa!
Que coisa boa!
 
Na cabana:
Experiência de matuto!
Cinza de charuto!
AROMA DE CAFÉ!
Vida de Zé Buscapé!
 

 
 
 
06- VELHA TAPERA
(Claudionor Araújo da Silva)
 
Da ponte da estrada boiadeira,
No sentido de quem vem do interior,
Pelo seu retrovisor,
Basta olhar para a esquerda,
Pra não haver nenhuma perda!
 
Escondida no matagal!
Iluminada pelo luar!
A velha tapera já foi
Recanto de felicidade!
Manto de fraternidade!
 
Fartas colheitas
Rendiam Natais festivos
E domingos atrativos!
 
Matuto se gabava
Daquele abençoado paraíso,
Sempre num sorriso!
 
Nas manhãs de primavera
Vinham os rouxinóis
Anunciar o alvorecer!
Tinha curiango no entardecer!
 
À noitinha tinha pescaria
No rio de água cristalina
E de pedra turmalina!
 
 
Violadas e comidas típicas
Regavam as noites de inverno!
Vinha um cantador moderno!
 
Mas chega o progresso
E leva o matuto embora,
Trazendo a tristeza e o abandono!
Coisa de um mundo sem dono!
 
Ainda hoje,
Embaixo da antiga figueira,
Se vê o carro de boi!
 
Lembrança de um tempo bom
Que se foi
E que não volta mais!
Tempo de paz!
 
 

 
 
07- A VISITA
(Claudionor Araújo da Silva)
 
 
A estrada que dá acesso à casa
É arenosa e rodeada por rosas!
 
De vez em quando
Vinham ao nosso encontro
Pétalas vermelhas e alguns colibris!
 
Na mata canarinhos faziam a festa!
 
De repente a família de cotias
Atravessa na nossa frente
E às pressas vai desaparecendo
Entre os coloniões!
 
Na chegada:
Sorriso de caipira!
Boa tarde de perdigueiros!
 
Construção antiga!
Quintal cercado com balaústres,
Muito sombreado
E chão forrado de folhas!
 
 
Varanda:
Rede estendida!
Banco rústico!
Mesa de cerejeira!
Gaiola de curió!
 
A velha carroça
Descansa em paz
Embaixo da grande mangueira!
 
Capelinha:
Imagem de Nossa Senhora!
 
Riacho:
Água de monjolo!
 
Galinheiro:
Polaco e índia dividindo o milho!
 
Celeiro:
Pangaré a relinchar!
 
Fogão a lenha:
Nosso lanche!
Cafezinho quente!
Bolo de fubá!
Queijo e doce de leite!
 
Entre uma conversa e outra:
Moda de viola!
Sertanejo de mão calejada
E voz rouca!
 
À tardinha:
Despedida!
A promessa
De em breve
Voltar!
A lembrança de uma
VISITA!!!
 
 

 
 
 
08- FAZENDA PRIMAVERA
(Claudionor Araújo da Silva)
 
Não muito distante,
No pé da serra,
A fazenda primavera
É paraíso encantado!
Lugar muito falado!
 
Festa lá?
É coisa especial!
Sanfoneiro do bom,
Cantor de primeira,
Bebida à vontade
E comida farta!
Coisa de evento sensacional!
 
Nos cafezais:
Caboclo
De prosa boa,
Improvisa um verso à toa!
 
Perto dos canaviais:
Roça de milho!
Atrás dos pombais:
Cocheiras
E muitas ribanceiras!
 
Perdigueiro arteiro!
Potro na relva!
Galinhada no terreiro!
 
Quando desce a garoa,
Nos coqueirais:
Folia de arara!
Borboleta na lagoa!
 
Na lua cheia:
Viola caipira!
Fogueira acesa!
Catira e dança holandesa!
 
À tardinha:
Pescaria!
Banho de rio!
Um pouco de cantoria!
 
Visita?
Lá não falta!
Até gente importante
Já parou pra prosear
E apreciar!
Se quiser conhecer,
Não se sinta intimidado!
Na estrada dos pinhais,
Já chegando nos bananais,
Depois do riacho doce,
O portão azul
Indica a chegada!
Fazenda Primavera: Sertão que agrada!
 
 

 
 
09- O PÂNTANO
(Claudionor Araújo da Silva)
 
 
Na lua cheia,
Na calada da noite,
No tempo da primavera,
O pântano é mágico e misterioso!
 
A brisa leva a canção das rosas!
Luzes brilham por toda parte!
À meia-noite, A FADA DO AMOR,
Vem brindar a vida!
 
Então, as flores dançam!
Desce a garoa!
As paineiras se agitam
E as cotovias se beijam!
 
Quando tocam os sinos,
Tudo para.
 
Na escuridão,
Bem baixinho,
Os alecrins cantam!
 
 

 
 
 
 
10- O RANCHO
(Claudionor Araújo da Silva)
 
Na curva do rio;
Atrás do morro;
De frente ao poente;
Entre as cerejeiras!
 
O velho rancho
É reino de PAZ!
Mundo que satisfaz!
 
Da cor do mogno!
Tem na varanda
A velha viola,
O antigo poço
E alguns canários
Na gaiola!
 
Churrasco de paca,
Veado ao molho,
Leite de vaca,
Fritura de porco,
Verduras e legumes frescos
Fazem parte do cardápio
Desse lugar, onde
O moderno ainda
Não deu as caras
E a gente pode ver o namoro das araras!
 
Pescaria de JAÚ
E de PACU?
Na lua cheia?
É coisa que diverte
E a gente se esquece
De tudo o que é de ruim,
Saboreando um SURUBIM!
 
O dono do lugar
Tem vida abençoada!
 
É muito sorridente
E não reclama de nada!
 
TIO NASTÁCIO vive ali...
 
No fim da estrada dos eucaliptos,
Na última curva
Do último rio,
Depois dos canaviais,
Antes de chegar no pé da serra!
 
O rancho:
A felicidade de uma terra!
 
 

 
 
 
 
11- O LAGO VERDE
(Claudionor Araújo da Silva)
 
 
Escondido
Entre os coloniões
E enfeitado pelos pinhões!
 
 
Samambaias, rosas vermelhas,
Muitos girassóis e Azaleias
Margeiam o LAGO VERDE!
 
Parada obrigatória
Das garças brancas!
 
Num canto qualquer:
Espreita de jacaré!
Sapo molha o pé!
Repouso de cágado!
Conforto de veado!
 
À tardinha
Borboletas e libélulas
Desfrutam do lugar!
 
No outono e no inverno:
A beleza 
Da densa neblina!
A visita da ave de rapina!
 
Ao brilho do luar:
Namoro de rã;
Beijo de carpa;
Cantiga de grilo!
Brincadeira de esquilo!
 
Nos verões:
 
Visita
De pato selvagem!
Uma bela imagem!
 
Tronco de coqueiro:
Ninho de arara!
 
Sombra
De cerejeira!
 
Fruto
De jabuticabeira!
 
 
Sabiá:
Festa da mata!
 
LAGO VERDE:
BRILHO DA NATUREZA!
Recanto do primata!
 
 
 

 
 
 
12- A CASA VERDE
(Claudionor Araújo da Silva)
 
Depois da pedreira
E
Da baixada:
Já se avista o coqueiro
Lá na ribanceira!
 
Quando termina a subida,
Do lado esquerdo
De quem vai pro interior,
Um portão vermelho
Indica a chegada ao cercado!
 
Na varanda:
Algumas plantas;
 A máquina de costura;
Banco e cadeira!
 
Framboesa, goiabeira,
Mangueira, carambola,
Caju, maracujá e acerola
Fazem parte do pomar
Desse lugar!
 
Aos fundos:
A horta!
Alguns pescados!
 
Próximo ao pombal:
Um velho poço!
O antigo berimbau!
 
A carroça!
Um pequeno celeiro!
O cuidado com a palhoça!
 
Depois do recanto do cupim,
Vem o SURUBIM,
Rio de águas claras,
Próximo à roça do milho
E das abóboras!
 
A casa que tem na cor
O verde da mata,
Também tem cascata!
 
É cheia de FELICIDADE!
Está longe da cidade!
 
RECANTO DA PAZ!
Retrato de um CARTAZ!
 
 
 
 

 
 
 
 
 
13- SÍTIO SONHO MEU
(Claudionor Araújo da Silva) 
 
Indo pela RODOVIA DA MORTE,
Depois do BAR DA CURVA,
A primeira entrada à esquerda
Indica a direção!
 
Quando passar os bambuzais,
Logo à direita se vê a PLACA
Do SONHO MEU!
 
Limoeiros embelezam o lugar,
Que tem na entrada,
Um lindo portão preto!
 
Um PASTOR ALEMÃO,
Muito sorridente,
Dá as boas-vindas!
 
No chão:
Um tapete verde,
Onde
Aqui,
Ali,
Se vê uma FLOR!
 
- Que bom que vocês vieram!
Disse o Sr. Alfredo:
Homem de BOM GOSTO;
Bigode grande;
Estatura média;
Barba bem feita;
Botas de COWBOY;
Cinto importado
E chapéu de boiadeiro!
 
No SÍTIO
Ele faz de tudo,
Mas tem a ajuda
Da amável ANA:
Mulher prendada,
Muito bonita
E de um jeito FELIZ DE SER!
 
Sentamos à sombra da laranjeira!
 
Não demorou muito
E a dona do recanto
Foi buscar a bandeja do café,
Com a cesta de guloseimas:
Bolo de milho;
Chipas;
Biscoitos de polvilho;
Leite e goiabada!
 
O tempo passava
E as histórias que
O casal contava,
Deixava-nos
À vontade!
 
Por dentro a casa é branca,
Mas por fora,
Verde musgo!
 
A cozinha da Sra. Ana
É bem espaçosa!
Tem uma mesa grande no meio!
Uma linda pia no canto
E prateleiras repletas de louças!
 
No quarto dos anfitriões:
Nossa Senhora Aparecida!
Água fresca no filtro de barro,
Cama entalhada
E cômoda de cerejeira!
 
O relógio do CUCO
É peça importante,
No corredor da residência!
 
Ainda existem na moradia,
Além da sala de visitas,
Outros dois quartos,
Muito bem arrumados!
Um banheiro de luxo
E a despensa,
Com porta de vidro espelhado!
 
Na varanda:
Poço artesiano!
Cadeiras de mogno
E bancos de jatobá!
 
É época das AMORAS!
 
Além da GRANDE HORTA,
Fazem parte da FLORA:
 
Mangueiras, abacateiros, jabuticabeiras,
Pimenteiras, goiabeiras e bananeiras!
 
Na cocheira:
Cavalo de raça!
 
Próximo ao galinheiro:
Ninho de tucano!
Porco do mato
E curral de concreto!
 
Lá no alto,
Depois do RIO LAMBARI,
Perto dos canaviais:
Gado leiteiro e ovelhas MERINO
Dividem o pasto!
 
Não queríamos,
Mas tínhamos que partir!
 
Diante de tanta doçura:
Lágrimas incontidas!
 
À tardinha
Deixamos para trás
Dois GRANDES AMIGOS!
 
No retrovisor do CARRO:
Acenos de ADEUS!
 
SÍTIO SONHO MEU:
Lugar de TERNURA!
Mais um pensamento meu!
 
 
 

 
 
14- A VELHA FIGUEIRA
(Claudionor Araújo da Silva)
 
Passamos pela igreja abandonada!
Na trilha das cotias,
Já encima do morro,
Do lado da velha tapera,
A frondosa FIGUEIRA
De enormes raízes,
Sobrevive ao tempo!
 
A roda do carro de boi
Descansa
Apoiada no tronco
Da bicentenária,
Que tem 
Em um de seus galhos,
Um antigo balanço 
Que se encontra amarrado!
 
Os CAIÇARAS
Viveram ali
Por muitos anos!
 
Ao todo
Foram onze filhos:
 
Seis meninas
E cinco meninos!
 
O pilão da Dona Nice
Ainda está lá! 
Dentro dele:
Folhas e teias de aranhas!
 
A antiga casa,
Quase caindo,
É recanto de morcego!
 
Num de seus quartos
Encontramos
Resto de fumo,
E o velho cachimbo
Do Seu João,
Negro bom de roça
E de prosa,
Que toda tarde pitava,
Olhando pro horizonte,
Na espera do café!
 
Pouco se sabe
Depois que eles partiram!
 
Um dia desses
Um rapaz
De sobrenome
CAIÇARA CRUZ,
Citou
Informações incondizentes!
  
Mas os rastros
Dos personagens 
Dessa história,
Ainda podem ser
Encontrados
À
SOMBRA
DE
UMA VELHA
FIGUEIRA!
 

 
 
15- A CABANA MÁGICA
(Claudionor Araújo da Silva)
 
 
De cima do morro
 
Parece ser fácil
 
Chegar até lá!
 
 
 
Um mistério envolve o lugar!
 
 
 
A magia é tão intensa
 
Que muitos se perdem
 
Na trilha!
 
 
 
Outros morrem!
 
 
 
Quando se passa pela
 
SELVA DOS ESPINHOS,
 
Vêm as CAVERNAS DE MORCEGOS;
 
Logo em seguida,
 
O PÂNTANO;
 
Então
 
Tem-se que atravessar
 
O TRIEIRO DAS CASCAVÉIS
 
E por fim,
 
A AREIA MOVEDIÇA!
 
 
 
Nessa façanha
 
Só o
 
CORAÇÃO BOM,
 
Vai e retorna
 
Em paz!
 
 
 
Um tapete verde
 
Rodeia a CABANA!
 
Alecrins e jasmins
 
Dividem o espaço!
 
 
 
Telhado de sapé;
 
Casa de barro,
 
De um só cômodo;
 
Porta e janela de PEROBA!
 
 
 
Moradia do MAGO DAS FLORES.
 
Lá dentro, o que tem, não se sabe!
 
 
 
LEOAS e LEÕES
 
Vigiam o lugar!
 
 
 
No ar:
Diversos tipos de fragrâncias!
 
 
Para cada ESTAÇÃO DO ANO:
 
Um brilho de luz!
 
 
 
No VERÃO tudo é AMARELO!
 
INVERNO: O AZUL toma conta!
 
LARANJA no OUTONO
 
E VERDE na PRIMAVERA!
 
 
 
Muitos dizem
 
Que o cheiro que vem dali
 
Traz AMOR
 
E às vezes, DOR!
 
 
 
De dia
 
Ninguém nunca viu o FEITICEIRO!
 
Nada se sabe a seu respeito;
 
Mas nas noites de lua cheia,
 
Seu vulto foi notado!
 
 
 
CABANA MÁGICA:
 
A GRANDE AVENTURA!
 
 
 
 

 
 
 
 
16- PEDREIRA SANTA TERESINHA
(Claudionor Araújo da Silva)
 
Nosso sábado está amanhecendo!
Um avião já está descendo!
Um dia bom pra pedalar!
Temos muito a comentar!
Nem chuva. Nem sol!
Vejo um triste girassol!
Sem frio. Sem calor!
Aroma de amor!
 
A BR 147 tem má fama.
Nela centenas de vidas
Foram ceifadas!
 
Nossas bicicletas
São equipadas com farol
E buzina!
Essa é a nossa sina!
 
Ontem
Fizemos manutenção
Nos velocípedes!
Temos força nos bíceps!
 
Na rodovia
A viagem é muito desconfortável!
Caminhões, jamantas e carros de passeio
Estão sempre apressados!
Somos ciclistas treinados! 
 
As ultrapassagens perigosas
Acontecem a todo instante!
Temos que seguir adiante!
 
Paramos na
“LANCHONETE DO CAMINHONEIRO”!
Depois das chipas e coxinhas
De massa de mandioca,
Com refrigerante,
Um tônico revigorante!
 
A estrada que leva à PEDREIRA
Tem início no POSTO DE COMBUSTÍVEL
“SIGA BEM”!
Agora o caminho é de cascalho!
Dependemos desse atalho!
 
Depois de quase
OITO QUILÔMETROS
De lascas de pedra,
Uma curva à esquerda
E chegamos ao destino!
Mais um desatino!
 
Portão escancarado!
Bem maltratado!
Do escritório,
Só resta o piso!
Tudo está abandonado!
 
É época de goiaba!
Tem da branca e da vermelha!
Achei um pé de mangaba! 
 
Pedras britadas
Estão aos montes
Por toda a parte!
Encontrei velhas enxadas!
 
De cima da
Montanha de AREIA
Avistamos o RIACHO SUCURI,
Recanto do lambari!
 
Ao norte:
Uma GRANDE CRATERA!
 
Ao leste:
ferro velho!
 
PÁ CARREGADEIRA,
PATROLA e
CAMINHÃO BASCULANTE!
Tudo está decepcionante!
 
Depois que a
SANTA TERESINHA faliu,
Tristeza e solidão
Tomam conta do lugar!
Ninguém quer comprar ou alugar!
 
No almoço
Compartilhamos
Nossas marmitas!
 
Depois da sesta:
Banho no ribeiro!
Tudo bem ligeiro!
 
Antes de partir
Deixamos AVISADO
Que ali estivemos!
Mais um lugar que conhecemos!
 
Saímos
Com goiabas nas sacolas
E melancolia no coração!
Ficou a solidão!
 
SANTA TERESINHA:
RIQUEZA de poucos!
SOFRIMENTO de muitos!
Uma história minha!
 
 
 
 

 
 
 
 
 
17- O VALE DAS VIÚVAS-NEGRAS
(Claudionor Araújo da Silva)
 
Antes de deixarmos
A FLORESTA DOS TUCANOS,
Na CABANA DOS BORGES,
Nosso café da manhã foi bem reforçado:
Queijo, ovos cozidos, leite, iogurte, chocolate,
Arroz carreteiro e broas de milho!
Mochilas preparadas
E lá vamos nós
Pra mais uma aventura!
A caminhada até o VALE
É longa e cansativa!
No BOSQUE DAS ORQUÍDEAS:
Nossa primeira parada
Para descanso!
Depois da TRILHA DO SACI,
O RIO DAS PIRANHAS!
Logo em seguida,
A FLORESTA DOS LOBOS!
Já exaustos,
À sombra de uma cerejeira:
Água gelada e refrigerante!
Agora é a vez de cruzarmos
O RIACHO DAS SAMAMBAIAS! 
Vem então O DESFILADEIRO DAS VESPAS!
E finalmente O VALE DAS VIÚVAS-NEGRAS!
Repleto de flores:
Jasmins, acácias-amarelas, amendoeiras,
Cravos brancos, tulipas negras e zínias!
Muito perigoso!
Cascavéis, víboras e caranguejeiras
Esperam as suas vítimas!
No ar:
Sinfonia de CHOCALHOS!
Algumas VIÚVAS
Devoravam insetos;
Outras
Matavam o NAMORADO!
Depois das FOTOS:
Uma soneca e então
Demos início à
Longa viagem
De volta pra casa!
SOBERANO!
INÓSPITO!
MAQUIAVÉLICO!
VALE DAS VIÚVAS-NEGRAS:
Lugar que impõe RESPEITO!
 
 
 

 
 
 
 
18- O CEMITÉRIO
(Claudionor Araújo da Silva)
 
Já quase chegando ao VILAREJO DAS PERDIZES,
À beira da estrada arenosa
Existe um portão
Que é mantido fechado
Com uma grossa corrente e um reforçado cadeado.
Quem passa por ali
Muitas vezes nem percebe essa entrada,
Pois a mesma,
Muito bem disfarçada se encontra,
Na cerca que guarda a densa floresta.
Nota-se que um caminho estreito,
Tem início no portão e toma rumo
Pra dentro da mata!
Algumas pessoas do VILAREJO contam,
Que alguns já tentaram chegar
Ao cemitério,
Mas que certos espíritos,
De tudo fizeram
Pra que a equipe
Voltasse pra casa,
Sem a conclusão da missão!
Porém, Dona Rita,
Uma antiga moradora do VILAREJO, disse:
“- Numa noite fria e chuvosa,
De uma quinta-feira de fevereiro,
Há alguns anos atrás,
Fui surpreendida por um semblante de homem,
Que me acordou numa luz azul muito bonita!
Ele disse ser do bem
E que eu deveria me acalmar. Foi aí que eu fiquei sabendo
Que no meu jardim
Estava enterrada a tal chave que abre o portão, 
Que dá acesso ao cemitério!
Recebi a missão de fazer o zelo do local,
Capinando e plantando algumas flores!
Hoje eu sou a única pessoa 
Que até lá, pode chegar!
Segundo ele, as pessoas que ali estão enterradas, 
Muito sofreram antes de falecerem!
Fiz algumas perguntas pra ele,
Mas o fantasma me disse que não poderia dizer mais nada!
Na minha primeira ida até lá eu tive muito medo,
Pois a gente ouve vozes
A todo instante. Atualmente eu já estou tão acostumada,
Que até brinco com eles!
Às vezes, alguns deles vão lá em casa me fazer uma visita!”
 
Se você quiser saber um pouco mais dessa história,
É só procurar a Dona Rita
No VILAREJO DAS PERDIZES,
Que fica atrás dos arrozais
Da fazenda dos LIMEIRA!
 
O CEMITÉRIO:
VERDADE ou MENTIRA!
Tema de um Mistério!
 
 
 

 
 
 
 
19- A VELHA LAGOA
(Claudionor Araújo da Silva)
 
 
Quando acaba a TRILHA DO CURUPIRA,
Vem a ESTRADA DOS EUCALIPTOS
E a ANTIGA OLARIA, 
Bem próxima da Sucupira!
 
Depois do velho POÇO ABANDONADO,
Na primeira curva à esquerda,
Do mesmo lado dos PÉS DE ACEROLAS,
Encontramos a VELHA LAGOA
Na FAZENDA DOS BARTH,
Recanto das Carambolas!
 
Lugar que já foi felicidade de sucuri,
Morada de jacaré e parada obrigatória
Da garça branca
E da Canindé!
 
Hoje ainda se vê por lá
Alguns lambaris,
Muitas libélulas,
Borboletas de diversas cores,
Algumas capivaras
E uma ou outra perdiz!
 
O Seu Neto,
Um antigo tratorista
E morador da região
Conta,
Que depois de quinze dias de labor
Junto com a peonada, a lagoa ficou
Pronta!
 
Existe a história
Que muito peão
Viu a figura de um menino por lá!
 
Todas as vezes que o fantasma foi visto,
A imagem correu e pediu pra ser seguida!
 
Muitos contam,
Que Afonso,
Um destemido lavrador,
Resolveu segui-la
E o menino lhe presenteou
Com muito ouro,
Que estava enterrado
Dentro do mato,
Debaixo de uma grande pedra!
 
De uns tempos pra cá,
À noite,
O que se vê por lá
De luz,
É o brilho da lua, os faróis dos tratores
E alguns pirilampos!
 
A velha lagoa é festa
Pra criançada da cidade,
Que vai até lá
Pra passar as férias na fazenda!
 
Hoje
A chamam de “A LAGOA DO MENINO”!
 
A VELHA LAGOA:
Lugar de muita história boa!
 
 
 

  
20- O CASTELO DO PÂNTANO
(Claudionor Araújo da Silva)
 
Smith Bird!
Um garoto
Que com apenas seis anos de idade
Perdeu os seus irmãos,
Pais e alguns amigos,
Num acidente que envolveu
O carro de passeio da família
E uma gigantesca carreta!
Mesmo doente,
Sofrendo de uma profunda depressão,
O menino não abandonou os estudos!
Bird
Nasceu numa família rica
E por isso, ficou bilionário
Com a herança que o pai deixou!
Cheio de ideias,
Ele resolveu comprar uma fazenda!
Ao descobrir
Que um pântano fazia parte de suas terras,
Achou melhor
Construir um castelo
Na região alagada!
Mesmo sendo um castelo,
A construção do jovem Bird
Tem poucos cômodos e algumas passagens subterrâneas,
Sendo que o calabouço
Pertencia a Murphy,
O seu cão de estimação!
Na época de faculdade
Muitas festas foram realizadas
Lá,
Nos finais de semana!
Smith adorava dividir o seu espaço
Com as algas, os sapos, as bactérias, os flamingos, as garças
E as cegonhas!
Mas numa sexta-feira de primavera
O velho Bird foi encontrado
Morto!
Depois que uma grande indústria
Se apossou das terras,
Ninguém mais
Soube contar
Alguma história a respeito do castelo!
Mesmo assim,
De vez em quando,
Alguém pergunta:
"- E aquele castelo
Lá no pântano
Que era do Bird,
Ainda existe?"
Muitos já foram até a fábrica,
A fim de visitar a estranha moradia
Que pertenceu ao Mr. Smith,
Mas o acesso à área
Foi negado e nenhuma informação condizente,
Foi dita!
O CASTELO DO PÂNTANO:
A imagem de alguém!
Uma história do bem!
  

  
21- A CASA DA ESQUINA
(Claudionor Araújo da Silva)
 
Depois de uma longa pedalada, 
Quando se consegue ver
A enorme placa
Advertindo que fumar
É proibido,
Basta tomar o rumo das espatódeas,
Na rua de cascalho!
 
Por ali
O ônibus sempre para em uma curva
E desce a ladeira, manhosamente!
 
A casa que tem os pés de carambolas
É encontrada
Na primeira esquina,
Depois da ladeira!
 
Uma antiga casa de madeira!
Por fora: Azul!
Suas portas e janelas: Verdes!
Por dentro: Rosa!
 
Tem uma pequena varanda na frente
E outra, um pouco maior, nos fundos!
 
Sala e alguns banheiros!
Uma cozinha não muito grande 
E cinco quartos!
 
Lugar onde a morte
Vive sempre à espreita!
As mulheres se entregam
Por alguns trocados,
E os homens se embriagam
Com vinho e prazer!
  
A casa só fica disponível pra clientela
Nas noites de sexta e nas madrugadas dos sábados!
 
A dona do recinto diz
Que a sua morada
Pertenceu ao seu ex-marido!
 
Mãe de um rapaz e sete moças,
Conceição fala da sua trágica vida,
Dando risadas:
 
"- Eu sou a beleza feia!
Me escondo dentro de um azul
Que não é céu, e atraio as minhas presas
Com um verde que não é esmeralda!
Exalo o perfume de uma rosa triste! 
Sei que eu sou lixo aos olhos das prendadas!
Sei que sou tesouro pra alguns viajantes!
Sou fruta que amadureceu antes do tempo!
 
Fui escolhida pelo destino
Pra ser o caos da sociedade!
Plantei um pomar, cujos frutos,
São sempre estragados!
 
Sei enfeitiçar!
Alguns lares já desonrei!
Certos crimes já cometi!
Solte uma perdiz em meu quintal
E verás que a minha música
Tem poder!"
 
Na CASA DA ESQUINA,
Muitas vezes,
A tristeza se vai!
 
Na CASA DA ESQUINA
Brilha a luz da luxúria!